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JAIME ACIOLI

DO CHÃO QUE PISO

 

"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;

Se não houver flores, valeu a sombra das folhas;

Se não houver folhas, valeu a intenção das sementes.

 

Henfil

 

A fotografia, mais do que um registro visual, é uma ferramenta poderosa para expressar sensibilidade, criando imagens que irão estabelecer um profundo diálogo com o espectador. Ao capturar a essência do momento, o fotógrafo amplia o mundo ao seu redor e, transcendendo a técnica, revela a alma do objeto. Como afirma Lévi-Strauss, antropólogo francês, as fotografias são uma ética da visão, permitem compreender e interpretar horizontes que de outro modo seriam estéreis. Implicam em conhecimento, em um olhar apurado e na capacidade de surpreender.

Jaime Acioli, fotógrafo cuja obra autoral reflete a paixão pela natureza, está, desde sempre, intimamente envolvido com o que fotografa. Interessa a esse artista da imagem o processo de transformação tão importante que é, nas suas palavras, “a transformação de um organismo vivo (as folhas) em outro organismo vivo (fungos, líquens, micro-organismos) através da morte.”

Para a exposição Do Chão Que Piso, o artista selecionou duas séries de fotografias.  DE-COMPOSIÇÃO e FOLIA trazem detalhes de folhas coletadas em suas caminhadas, mas é a riqueza e a vitalidade que movem seu olhar. Volumes, texturas e cores surgem para mostrar o modo de existir.

Mais do que tudo, é a bagagem de conhecimentos e experiências de Jaime Acioli que vai direcionar seu olhar para o ato de fotografar. Citando o grande filósofo Henri Bergson, “o olho só vê o que a mente está preparada para conhecer.” A fotografia, como arte, sempre revelará a cultura, o entendimento e a profundidade do fotógrafo. Só assim as imagens criadas não serão apenas registros, mas também irão comunicar, emocionar e inspirar.

O olhar amoroso de Jaime é a forma que o conecta a seu objeto. O fotógrafo enxerga além do óbvio, percebe detalhes e nuances sutis. O artista cria composições, usa a luz e enquadramentos originais para contar a sua história, uma narrativa silenciosa, das mais empolgantes. Busca o equilíbrio e a sustentação, explorando a espinha dorsal das folhas; encontra a beleza do colorido surpreendente e expõe a rede dos veios que transportam a vida.

A fotografia tem a capacidade peculiar de transformar todos os seus temas em obras de arte, ensina Susan Sontag.

E é com o olhar direcionado para a natureza que entendemos a transformação, tão necessária, acontecendo a cada minuto. As folhas e sementes coletadas por Jaime falam de sua maneira de viver, seu pensamento e deixam marcas na memória de quem observa suas obras".

Isabel Sanson Portella

© 2026 GABRIELA TOLEDO FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA

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